História do Edifício: do projeto ao grande hotel-palácio
A história do Hotel Quitandinha começa no final dos anos 1930, quando o empresário Joaquim Rolla decidiu erguer, em Petrópolis, um hotel capaz de rivalizar com os grandes complexos hoteleiros europeus e norte-americanos. A cidade, já conhecida havia décadas como refúgio de veraneio da corte imperial e da elite carioca por seu clima ameno de montanha, foi escolhida como palco para um empreendimento de escala monumental.
Um canteiro de obras monumental
As obras mobilizaram centenas de trabalhadores e um volume expressivo de material importado — mármores, madeiras nobres, vidros decorativos e peças de mobiliário —, além de artesãos especializados em talha e marcenaria. O projeto arquitetônico adotou uma linguagem pouco usual no Brasil até então: o chalé normando de grande porte, com telhados de ângulo acentuado, mansardas, torres e uma volumetria que lembrava os resorts de montanha da Suíça e da França, adaptada à paisagem da Serra Fluminense.
Para compor o cenário, foi criado um lago artificial diante da fachada principal, represando um curso de água local. A obra alterou significativamente a paisagem da região, criando um espelho d'água que reforça visualmente a monumentalidade do edifício e se tornou, desde então, parte indissociável da identidade do Quitandinha.
A inauguração de 1944
O hotel-palácio foi inaugurado em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, num contexto de relativa prosperidade para alguns setores da economia brasileira e de forte desejo de modernização da hotelaria nacional. A inauguração foi tratada como acontecimento de primeira grandeza pela imprensa da época, que destacava a escala do empreendimento, o luxo dos interiores e a ambição de posicionar Petrópolis como destino de veraneio sofisticado, à altura de Nice ou Baden-Baden.
O conjunto arquitetônico incluía, além do corpo principal com o grande salão, alas de hospedagem, espaços de convivência, jardins extensos e instalações voltadas ao lazer dos hóspedes. A capacidade do hotel — um dos maiores da América Latina em sua época — exigiu soluções estruturais e de engenharia avançadas para os padrões construtivos brasileiros dos anos 1940.
Breve apogeu e mudança de destino
O período entre 1944 e 1946 corresponde ao auge da vida social do hotel, com grandes recepções, bailes e eventos que reuniam parte da sociedade carioca e fluminense. Esse período, no entanto, foi interrompido pela promulgação do Decreto-Lei nº 9.215, em 1946, que extinguiu a prática de jogos de mesa e atividades de jogo em todo o território nacional e obrigou o Quitandinha — como outros grandes hotéis do país — a reinventar sua vocação.
Nas décadas seguintes, o edifício passou por diferentes fases de uso, incluindo funções hoteleiras reduzidas, eventos corporativos e, mais recentemente, a consolidação como espaço de memória e centro de convenções, tema explorado na seção Depois do Decreto.